Juventude debate gordofobia e feminismo no Manifesta (Dezembro/2015)

Originalmente publicado na página Bota a Cara no Sol, criada para expor os textos sobre a Conferência Nacional de Juventude de 2015

Jornalistas da Paraíba compartilharam a experiência do blog As Gordas

Por Carolina Vaz*

Você já passou por situações como não encontrar uma roupa bonita para o seu tamanho? Receber uma “cantada” mas ser uma piada? Receber dicas de saúde sem perguntarem se você tem alguma doença? Não acreditaram que você pratica esporte? Ouvir “você tem um rosto bonito, deveria emagrecer”? Se a resposta a alguma – ou várias, ou todas – dessas perguntas é sim, você sofreu gordofobia. A gordofobia costuma ser vista como “piada”, apenas uma “brincadeira”, mas atormenta pessoas de todas as idades (crianças principalmente) e traumatiza. As jornalistas Evellyn Lima e Marcella Alencar, de Campina Grande (PB) apresentaram um trabalho sobre o assunto no Manifesta, durante a 3ª Conferência Nacional de Juventude.

A apresentação “Vivência As Gordas – Espaço sobre gordofobia e promoção da autoestima” trouxe a experiência do blog As Gordas, mantido por cinco jovens da Paraíba.

Algumas delas já militavam pelo feminismo no coletivo Bruta Flor, que tem um blog de mesmo nome. Mas depois de um tempo passaram a sentir necessidade de falar da opressão que as mulheres gordas sofrem. Então, criaram o As Gordas para tratar do assunto, tanto para mulheres quanto para homens.

Na apresentação, falaram do quanto essa opressão afeta a autoestima das mulheres, e pior ainda são as diversas associações ao “ser gordo”: a pessoa é sempre julgada como alguém que “só pensa em comida”, sempre come muita quantidade, e socialmente a pessoa gorda tem que ser engraçada para manter as amizades e as mulheres precisam ser “boas de cama” para “compensar” (por não estarem no padrão de beleza imposto). Inclusive, existe muita fetichização da mulher gorda, é como se fosse uma atração sexual “diferente” que alguém possa ter. Na própria página do Facebook as meninas já receberam “pedidos” de homens que desejavam conhecer mulheres gordas de características específicas. É preciso reconhecer também que as opressões contra mulheres gordas apenas se somam: elas são ainda mais maltratadas se forem negras, lésbicas, trans ou se tiverem alguma deficiência.

No entanto, está faltando na equipe do As Gordas alguns tipos de mulheres, como negras e trans, e elas estão precisando dessa participação! Se você deseja fazer parte, mande uma mensagem para a página ou um e-mail para as gordas2015@gmail.com. Elas também recebem e publicam relatos sobre gordofobia em geral. Participe!

*Comunicadora popular do Rio de Janeiro

 

As Gordas - 1 - porCarolinaVaz
Este foi o primeiro evento em que Marcella e Evellyn puderam debater o tema. Foto: Carolina Vaz
As gordas - 2 - por Carolina Vaz
Espectadores participaram dando seus depoimentos. Foto: Carolina Vaz

 

 

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